sexta-feira, 26 de junho de 2009

Um brinde nas alturas

Impossível visitar Portugal e não entrar no mundo dos vinhos. Esse contato já começa no voo da TAP, onde no jantar ou no almoço (dependendo do horário do voo) você pode tomar uma tacinha (agora, por lei, existe um limite máximo por passageiro). A carta de vinhos da companhia aérea portuguesa foi selecionada a partir de cerca de 180 marcas de todas as regiões vitícolas portuguesas, sob à responsabilidade de grandes especialistas, como o enólogo Paulo Laureano e os críticos David Lopes Ramos, Maria João de Almeida, Duarte Calvão, Manuel Gonçalves da Silva, Aníbal Coutinho e João Paulo Martins.

Eu não entendo nada de vinho (mas, confesso, estou começando a estudar o assunto, que acho bastante interessante). No voo, optei por uma taça de Egoísta (um tinto alentejano): Bem, minha seleção foi pelo nome, achei esse bem inusitado. Gostei. Senti um aroma ligeiramente frutado. Depois, fiquei sabendo que minha escolha foi boa - pois esse é um vinho indicado para jovens apreciadores.




Entre as sugestões estão:

Lavradores de Feitoria (Douro, 2006) - Aroma de amoras e ameixas maduras. Equilibrado e cheio, bom para acompanhar carnes leves.



Loios (Alentejano, 2008) - Aroma intenso de frutos vermelhos. Harmoniza bem com pratos de carne.



Quinta de Cabriz (Reserva, Dão, 2005) - Aroma silvestre com leves nuances vegetais.




Grão Vasco (Dão 2006) - Tem aroma de frutos vermelhos.



Aliança (Bairrada, 2007) - Aroma intenso e frutado, com um gostinho de morango e amora. É um bom aperitivo, serve para acompanhar saladas, massas, peixes ou carnes brancas.


Herdade do Pinheiro (Alentejano, 2007) - É fresco, aroma muito frutado.




Quinta dos Grilos (Dão, 2007) - É o vinho ideal para servir como aperitivo ou acompanhar pratos à base de peixes.

Visconde de Borba (Alentejano, 2008) - Arome de flores e frutos, Bom para acompanhar mariscos e carnes brancas.



Marquês de Marialva (Bairrada, 2007/08) - Aroma frutado, com flores.

Luís Pato Maria Gomes (Bairrada, 2008) - Espumante leve e fresco que acompanha bem pratos de pei xes.



Churchill´s (Porto Branco Seco, 10 anos) - Encorpado. Ótimo para acompanhar frutos secos e queijos.



Quinta das Tecedeiras (Porto Doce Vintage Tinto 2005) - Encorpado, excelente para acompanhar chocolates e sobremesas fortes.



Boa viagem!






domingo, 21 de junho de 2009

Entre as ruelas de Alfama




Vou deixar o Marrocos de lado (mais especificamente Marrakesch) um pouquinho. Mas não vou abandoná-lo, pois ainda falta muita coisa para falar desse país exótico, que me conquistou logo na primeira viagem. Decidi fazer um desvio e voltar até Lisboa, que, aliás, fica bem perto (a cerca de 1h30 de avião).

É impossível visitar Lisboa e não falar sobre o fado, a música que revela a alma lusitana (hoje, infelizmente, um som bastante desprezado em Portugal, principalmente pelos jovens). Mas basta andar por Alfama, principalmente à noite, para escutar na voz das fadistas, e no som inconfundível da guitarra portuguesa, a beleza dessa tradição, que consquistou o mundo através de Amália Rodrigues. Mas atualmente, graças a algumas bandas novas, o fado está voltando, com uma leitura diferente - bem interessante - a conquistar os portugueses.

Aliás, visitar Alfama faz parte de qualquer roteiro em Lisboa, tanto faz a hora. A melhor dica, durante o dia, é pegar o charmoso elétrico 28 (bonde) que faz o percurso das sete colinas de Portugal (é um transporte público, mas onde você acaba fazendo um city tour, pagando apenas 1,40 euro, pela parte histórica da cidade). Siga com destino a Graças e peça para o condutor deixá-lo perto do Castelo de São Jorge (foto).

Podemos dizer que a cidade é filha do Castelo de São Jorge (sua manjedoura). Só depois foi crescendo morro abaixo. Mas antes disso, a fortaleza serviu de defesa contra os vários pretendentes que estavam de olho nas belezas de Lisboa - e riquezas. Como os romanos, suevos, visigodos e mouros, até que ela foi parar, definitivamente, nas mãos dos cristãos.

Dê uma volta demorada pelo local (custa 5 euros a entrada), curta o mirante, de onde se descortina uma bela vista de Lisboa (foto), principalmente em dias de céu claro (o que não é difícil na cidade, mesmo no inverno). Depois, ande, como uma rainha, se preferir uma princesa, pelas suas muralhas, curtindo a paisagem de vários ângulos.

E dê uma passada na Câmara Escura - Torre de Ulysses, onde está instalado um periscópio, um mecanismo óptico inventado por Leonardo da Vinci, no século XVI, único em Portugal, que permite observar a cidade a 360º, em tempo real. Ali, de dentro da sala, olhando para uma espécie de mesa oval, é possível ver as pessoas nas janelas de suas casas conversando com o vizinho, as roupas secando do lado de fora (um costume lusitano), e até o pássaro passando num voo rasante. É impressionante.

Depois, vá descendo pelas ruas estreitas até a Baixa, passando por igrejas - muitas - lojinhas, bares, restaurantes... Enfim, vivendo o dia-a-dia de seus moradores.

Vá lá: http://www.castelosaojorge.egeac.pt/


Os melhores lugares do mundo para os homens viverem

Se você é homem de verdade e mora no Brasil está, definitivamente, residindo no país errado. Pelo menos é o que indica a pesquisa realizada pelo AskMen.com. No ranking das 29 melhores cidades para o homem viver (e, claro, as mulheres visitarem), acredite, nenhuma é tupiniquim. Cada cidade foi avaliada em oito categorias: Cultura, Moda, Esportes e Entretenimento, Poder & Dinheiro, Saúde, A Boa Vida, Sexo & Encontros e "Liveability".

Em primeiro lugar, ficou Chicago, nos Estados Unidos... Por isso, homens, podem começar a arrumar as bagagens... O site explica que a vencedora é uma cidade cosmopolita, mas que não despreza o conforto. E aposta na cultura e entretenimento, incluindo alguns dos melhores restaurantes do mundo. E tudo isso, ao alcance do bolso de qualquer cidadão.

O pior, é que, infelizmente, desta vez vamos ter que tirar o chapéu para nossos "hermanos", pois Buenos Aires ficou em 13º. Da América do Sul, depois vem o Chile, em 26º. Confira a lista:

1º Chicago

2º Barcelona

3º São Francisco

4º Londres

5º Sidney

6º Nova York

7º Berlim

8º Hong Kong

9º Copenhagen

10º Paris

11º Vancouver

12º Roma

13º Buenos Aires

14º Tókio

15º Toronto

16º Miami

17º Madri

18º Viena

19º Los Angeles

20º Montreal

21º Cidade do Panamá

22º Portland

23º Lion

24º Melbourne

25º Tel Aviv

26º Santiago

27º Cap Town

28º Hamburgo

29º Edimburgo

E agora? Ficou interessado (a) em conhecer uma dessas cidades? Ou já conhece?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte XII)


Do trânsito caótico para a comida condimentada. Essa também merece cuidado. No Marrocos até o Mc Donald´s, acredite, é apimentado! Por isso, se você tem um, digamos, estômago sensível (como eu) é melhor não arriscar. Dizem que de 10 turistas, nove passam mal no país (eu, infelizmente, fiquei na lista dos nove). Tudo bem, estou considerando esse pequeno contratempo como um suvenir.

Tá certo, o tajine (foto, com minha irmã) é uma delícia! E fala sério, é difícil conhecer a fundo um lugar se você não faz uma viagem, também, por sua gastronomia. No caso desse prato, ele é feito numa panela especial, de barro cozido, pintado ou envernizado, que resiste a temperaturas elevadas.

A tampa, em forma de cone, é concebida de forma que todo o vapor condensado volte para o fundo da panela. Sem a tampa, a base pode ser levada à mesa e o prato, assim, servido. O problema são os temperos fortes. Eu escolhi o de frango, mas mesmo assim... Nem consegui comer tudo...

Da próxima vez que for para países exóticos como esse vou levar marmita de casa...

Pra lá de Marrakech (Parte XI)

Em Marrakech não existe lei de trânsito. Esqueça! Ali, o que vale é quem buzina mais. Por isso, todo cuidado é pouco. Você corre o risco de ser atropelado por um carro, uma charrete, uma moto, um ônibus e, se duvidar, até por um camelo! É uma loucura. Mas, acredite, eles se entendem. Parece impossível, mas não é. Depois, até você começa a se acostumar com a bagunça e, de quebra, acha até engraçado - acontece cada cena! Que só Deus. Enfim...

Pra lá de Marrakech (Parte X)






Os jardins de Marrakesch são um capítulo à parte. É como encontrar um oásis no meio do deserto - principalmente considerando o calor de 40º graus na cidade. O horário ideal para visitá-los é em torno de 11 horas. Quem quiser pode pegar uma caleche (charrete) na praça ou alugar uma bicicleta (http://www.dandoadventures.com/). A primeira parada são os roseirais da Mesquita Koutobia.


Outra opção é o Jardim Aguedal, criado no século XII pelo sultão almôada Abdel Moumen e ampliado pelos saadianos. Dizem que os reis - dá para imaginar - promoviam festas de "arromba" nesse bosque de oliveiras, que abriga enormes tanques (reservatórios) de água do Rio Ourika. Conta-se que em 1873 o sultão Mohammed IV se afogou num deles.


Tem, também, o Jardins Menara, o Jardim de la Mamounia, e o principal, o Jardim Majorelle (fotos), criado pelo pintor francês Jacques Majorelle, que, porteriormente, foi restaurado pelo estilista francês Yves Saint-Laurent - em 2008 ele faleceu, mas suas cinzas foram espalhadas pelo local, que abriga um memorial em sua homenagem. É o único lugar na cidade, acredite, que a cor muda do ocre para o azul cobalto, mais conhecido como Azul Majorelle. É agradável passear em meio à natureza, principalmente quando o sol está batendo implacavelmente na sua cabeça.



sábado, 13 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte IX) - Onde ficar

Existem várias opções de hospedagem em Marrakech. Você pode escolher entre alguns hotéis de rede (como o Ibis, no qual fiquei) ou optar por um riad (o que é bem mais simpático).

Algumas sugestões

Luxo

Sublime Ailleurs - Esse riad é para quem tem dinheiro e está disposto a pagar, no mínimo, 750 euros a diária. A vantagem é que você, realmente, vai ter privacidade, pois ficará numa casa, com tudo o que tem direito, incluindo uma piscina própria, mordomo e governanta. E, com sorte, pode cruzar, por exemplo, com Angelina Jolie e Brad Pitt.

Site: http://www.sublimeailleurs.com/

Hotel La Mamounia - Apesar de não ser como um riad, mais intimista, é tranquilo. É o preferido de algumas celebridades. Parece, na verdade, um palácio suntuoso. Abriga um dos melhores restaurantes de hotel do Marrocos, Le Marocain.

Site: http://www.mamounia.com/

Jnane Tamsna - Possui quatro casas com piscinas próprias, com 17 quartos luxuosos, em meio a um belo jardim e um palmeiral.

Site: http://www.jnanetamsna.com/

Riad Farnatichi - É um hotel-butique, cuja gerente, Lynn, faz a diferença e tenta, na medida do possível, realizar os sonhos mais loucos dos hóspedes. Parece que consegue, pelo menos é o que diz os comentários no livro de visitantes. Fica no meio da medina.

Site: http://www.riadfarnatchi.com/

Médio

Riad Edward - O local já pertenceu a membros da família real. Destaque para os quartos, um diferente do outro, com belas pinturas, livros e, o mais interessante, peças de um ferro-velho da cidade.

Site: http://www.riadedward.com/

Riad Knizaa - Hotel-butique que pertence a uma família marroquina, o que é interessante para quem pretende vivenciar o dia-a-dia da cidade. Não deixe de bater um papo com o senhor Bouskri, que ganhou fama em Marrakech por servir de guia para várias celebridades.

Site: http://www.riadknizaa.com/

Simples

Dar Sara - Possui apenas seis quartos, mas com charmosa decoração. O terraço é bem interessante para relaxar. Preço bem acessível.

Site: http://www.marrakech.com/

Sherazade - Para ficar nesse riad econômico é preciso fazer reserva com bastante antecedência. Fica perto da Djemaa el-Fna. O café da manhã é servido no terraço,no topo, com uma linda vista para a medina.

Site: http://www.hotelsherazade.com/

Pra lá de Marrakech (Parte VIII)



Não saia de Marrakech sem visitar uma das maiores escolas corânicas do Marrocos, a Medersa Ben Youssef (que rivaliza em esplendor com a de Fez). Ela foi construída por volta de 1570 e utilizada para esse fim até 1962. Ela fazia parte do extenso plano educacional do sultão Abou Hassan.

O traçado é tradicional, com um pátio central - com coloridos mosaicos de zellij, estuque e entalhes de cedro, além de uma grande fonte (foto), ladeada por pilares - e uma sala de orações - dividida em três naves por finas colunas de mármore, que possui um domo de cedro cercado por 24 janelas pequenas. Já o mihrab é decorado com gesso esculpido de forma rendilhada.

A medersa foi construída para abrigar 900 alunos em cerca de 150 celas espartanas. Elas são tão pequenas que dá agonia só de pensar em alguém "internado" no local. As melhores possuem uma janelinha (foto) para o pátio (essas, normalmente, eram destinadas os alunos mais promissores). A arquitetura do local é belíssima. Vale a pena conhecer.

Na volta, durante a viagem de trem de Marrakech para Casablanca, conheci o guia de turismo Anouar Lamrabette (anoulamrabette@hotmail.com), um simpático marroquino que, por acaso, foi aluno da escola corânica e contou algumas histórias interessantes sobre o local. Ele oferece roteiros tanto dentro do Marracos, como em outros países.

domingo, 7 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte VII) - O que você não pode deixar de fazer



Aqui estão algumas dicas imperdíveis para quem vai a Marrakech

- Mesquita Koutobia (foto): É o principal marco da cidade. É belíssima! A torre possui 70 metros de altura. Foi concluída pelo sultão Yacoub el Mansour, no final do século 12. A sua arquitetura serviu de modelo para o clássico minarete marroquino predominante em todo o país (na viagem de trem, dá sempre para avistar uma, quando a locomotiva vai passando pelos lugarejos à beira da ferrovia). Destaque para as três esferas douradas no topo, diz a lenda que elas foram feitas com as jóias de uma das mulheres de Mansour, como castigo por ela ter quebrado o jejum do Ramadã ao comer três uvas. Eu bem que iria ficar chateada de perder aquela fortuna!

Endereço: Place Youssef ben Tachfine
Fechada para não muçulmanos

- Museu de Marrakech (foto): É imperdível! Trata-se de um grande palácio do final do século 19. É um exemplo do estilo árabe-mouro. A arquitetura é ma-ra-vi-lho-sa! No grande salão, as colunas, portas, arcos são maravilhosamente decorados. Dá para ficar horas ali apreciando cada pedacinho da imponente arte local, imaginando como era a vida das princesas. Várias poltronas, espalhadas, proporcionam alguns instantes de descanso. Enquanto você descansa os pés e aprecia essa grande obra-prima, vai escutando uma gostosa música ambiente (típica). Puro relax!

Endereço: Place Ben Youssef
Horário: das 9 às 19 horas
Site: http://www.mussedemarrakesh.ma/

- Tumbas Saadianas: Onde estão enterrados os reis saadianos. Os mausoléus foram construídos no final do século 16 por Ahmed el Mansour. Cerca de um século, Moulay Ismail construi um muro em volta e eles acabaram abandonados, até serem descobertos pelos franceses em 1917. Nesse cemitério, florido, a várias koubbas, mas o destaque fica para a primeira, que guarda a tumba de Ahmed el Mansour. Ele foi enterrado no saguão central cercado por seus filhos. É impressionante a luz que incide nas tumbas sobre um teto de cedro que se apóia em 12 colunas de mármore.

Endereço: Bab Agnaou
Horário: todos os dias, das 8h30 às 11h45 e das 14h30 às 17h45

Por enquanto é só, depois tem mais.

sábado, 6 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte VI)





Nessa época do ano - eu visitei o Marrocos em maio - demora para escurecer. Só para ter uma ideia, o sol começa a descer lá pelas 20 horas. E, acredite, é um espetáculo imperdível. E para curti-lo em alto estilo escolha um dos cafés-restaurantes que possuem terraços que dão para a Djemaa el-Fna. O cenário lá de cima é impressionante. Não só pelas tonalidades do entardecer, mas porque só estando ali, no alto, é possível perceber o burburinho lá embaixo. A quantidade de gente é impressionante!

Enquanto toma um chá de menta, vá curtindo o pôr-do-sol (foto). Existem várias opções de estabelecimentos com terraços, dos menores aos maiores. Algumas opções são o Café des Épices, Café de France e Les Terrasses de l´Alhambra. No meu caso, foi um dia especial, não só pela paisagem, mas, também, porque tivemos - eu e minha irmã - a oportunidade de conhecer o simpático Sadik (na foto, à direita), que faz excursões pelo deserto - ele possui dois camelos, o Bob Marley e o Jimy Hendrix (foto). Eu como adoro reggae, ia preferir ir montada no Bob Marley (fala sério, é, no mínimo, surreal um dromedário com esse nome). Para contatar Sadik é só escrever para o endereço (sahara_trip45@yahoo.com).

Ele explicou que gosta de fazer excursões com grupos pequenos, no máximo cinco pessoas. Elas podem ser de apenas um dia, ou mais - nesse caso se dorme em tendas. Como fiquei pouco tempo no Marrocos, resumi minha viagem a Casablanca e Marrakech (até porque acho impossível conhecer bem um local naqueles pacotes onde as pessoas ficam dois dias em cada lugar). Mas da próxima vez, com certeza, o deserto será meu destino.

Até porque meu amigo Sergio Denicoli, que mora em Braga, Portugal, já fez o roteiro e disse que foi uma das melhores coisas que já realizou na vida. "É uma viagem de autoconhecimento", define ele. "E não existe coisa mais gostosa do que deitar sobre aquelas montanhas de areia, à noite, e curtir o tapete de estrelas, é impressionante", completa.

A mãe de Sadik é berbere, e por isso ele conhece bem esse pedaço árido de chão. Ele contou histórias interessantes sobre os mistérios do deserto. Falei para ele que na medina um marroquino, vendedor de uma loja, brincou comigo, dizendo que se ficasse com ele me daria 140 mil camelos. Queria saber se essa história de troca de dromedários por mulheres era verdadeira. Ele disse que sim, mas já não era uma prática tão comum como antigamente.

Só fiquei frustrada porque ele disse que 140 mil camelos é um número irrisório. Resumindo: eu não valho nada no Marrocos. E ainda completou, explicando, que o ideal vai muito, muito, além disso. Enfim... o jeito foi mudar de assunto. Resolvi, então, perguntar sobre uma bolsa de palha, com bordados feitos à mão, belíssima, que comprei na medina. Não sei o que faço com a alça de couro de camelo que tem um cheiro in-su-por-tá-vel (alguém sabe?).

O marroquino da loja de artesanato oficial de Marrakech explicou que é necessário antes de fazer a compra, principalmente quando o produto é de couro, ficar atento a esses detalhes. Segundo ele, muitos artesãos tiram o couro do animal e não o tratam, colocam direto na peça, por isso o forte odor. Disse para ir passando água, mas já lavei, lavei, lavei, e nada! O jeito vai ser trocá-la. Uma pena, pois não gostaria de descaracterizá-la. Mas, sinceramente, se entrar com uma bolsa dessas num restaurante, vão me expulsar.



Pra lá de Marrakech (Parte V) - Djemaa el-Fna, a alma da cidade




Uma verdadeira festa para os sentidos. Assim é a "la place" Djemaa el-Fna, em Marrakech, onde ficam os solks (mercados). Pelo labirinto de vielas, as pessoas vão ziguezagueando. O jogo de luz e sombra através do teto se mistura com as cores infinitas dos produtos à venda e dos aromas das especiarias. Uma deliciosa confusão! Basta dar uma paradinha, e pronto! Lá vem o vendedor... Se você gosta do produto, prepare-se! É hora de começar a negociação. O primeiro preço, normalmente, é muito, muito, alto. Nada de aceitá-lo logo de cara. Isso é um desrespeito à maior tradição marroquina - a arte de negociar.

É hora de colocar sua lábia para funcionar. Vá logo dizendo: "Trè cher, trè cher" - "Está caro, está caro". Logo vem a resposta: "Ok, madame, qual o seu preço? Dizem que para chegar ao valor correto você deve dividir por dois ou, de repente, até por três. O vendedor vai achar baixo e dirá: "Vamos fazer o seguinte, nem o meu nem o seu. E vai escrever num papel o novo valor. Faça cara de decepcionado (use seu lado teatral). Faça de conta que vai embora.

O vendedor vai ficar doidinho e fazer outra proposta. Faça uma contraproposta, um valor mais baixo do que aquele que pretende pagar. Ele certamente não vai aceitar. Comece a sair da loja com um ar bem definitivo. Ele vai impedir. Faça sua última proposta. Ele certamente vai aceitá-la. Lembre-se: quanto mais peças você comprar do mesmo produto, no mesmo local, mais chances terá de sair ganhando na negociação. Por isso, sugiro que faça uma lista dos presentes antes de embarcar nessa aventura.

Mas prepare-se: se ele achar que fez um bom negócio vai ficar feliz, senão mostrará seu desagrado. Não ligue. Se for melhor do que ele, vai dizer aos "quatro ventos" que você é uma berbere, os habitantes originais do Marrocos, que até hoje falam a língua mais antiga do Norte da África - é a segunda do país, depois do árabe e antes do francês.

Esse povo tem fama de bom negociador. Além disso, os berberes são os fabricantes dos belos tapetes, tecidos por tribos do Médio Atlas. Em geral, eles possuem um fundo vermelho-alaranjado, uma cor natural obtida da raiz da garança, embora hoje já usem, também, pigmentos químicos. As figuras são sempre geométricas.

Para os marroquinos eles não são decorativos - como para nós ocidentais - e, sim, servem para fins práticos, como, por exemplo, para dormir, tanto em casa, como nas tendas. São lindos! Se tiver dinheiro sobrando e lugar na bagagem, vale a pena trazer um - não são baratos, mas se for comprar um desses no Brasil, com certeza vai ser bem mais caro.

As lojas na medina vendem de tudo um pouco: De lenços a tapetes, de jarras para tomar chá a lustres, de bolsas de couro e palha a belos recipientes para colocar perfume (daqueles usados pelas princesas), de gorros a espelhos e caixas trabalhadas com pedras maravilhosas... O difícil é escolher, é se achar no meio de tantos produtos interessantes. E o pior, sem preço.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte IV)







Existem vários destinos em Marrakech, mas nenhum deles se compara a Djemaa el-Fna, a alma da cidade, literalmente. Como o calor é insuportável, a minha dica - e de todos os marroquinos - é visitá-la inicialmente pela manhã, quando o astro-rei ainda permite que você caminhe sem suar muito.

Ande pelo labirinto de ruas e lojas e aproveite para fazer umas compras (mas prepare-se, nenhuma peça tem preço estabelecido, negociar faz parte da tradição local. Os marroquinos ficam até aborrecidos se você aceitar o primeiro valor. Não, a ordem ali, é pechinchar). Mas isso merece um post à parte. Pois é, realmente, uma coisa de louco!


Antes das 12 horas, você tem duas opções: ou voltar para o hotel e desfrutar da piscina (ou se preferir de uma boa massagem, quase todos oferecem o serviço) e almoçar ou visitar um dos parques locais, um deles é obra do pintor francês Jacques Majorelle (1886-1962), que foi comprado, posteriormente pelo estilista Yves Saint-Laurent. O Jardin Majorelle é uma gracinha!


Ande despreocupadamente pelas trilhas de palmeiras, cactos e bambus gigantescos. Existem outros tão agradáveis quanto, como, por exemplo, o Cyber Park Arsat Moulay Abdel Salam, o Jardin Agdal, os Jardins de la Ménara ou o Jardin de la Mamounia. Acredite, são verdadeiros oásis em meio ao deserto. São bons lugares para fazer um piquenique ou sentar num dos cafés e tomar um chá de menta enquanto espera o momento de voltar à medina e, consequentemente, aos solks (mercados).


Pode parecer estranho indicar um chá (e quente) no Marrocos, devido ao calor. Mas o de menta é uma tradição local e como explicou meu novo amigo Augusto Rodrigues, quando se está no deserto, acredite, é mais fácil matar a sede tomando essa bebida típica do que ingerindo água. Como ele mesmo disse, aquelas propagandas que aparecem pessoas tomando Coca-Cola em pleno Deserto do Saara é pura enganação. "Não existe coisa mais insensata do que isso", diz Rodrigues.


Aliás no Marrocos, é engraçado, o refrigerante tem dois lados: num vem escrito Coca-Cola (normal) e no outro a mesma coisa, mas em árabe (foto). É no mínimo curioso. Assim, também, é o Mc Donald´s (foto). Bem, voltando aos jardins, depois de respirar ar puro, lá pelas 17 horas, retorne para a medina e prepare-se para desfrutar de algo totalmente diferente de tudo o que viu na vida.



Essa á a hora em que os marroquinos começam a chegar ao local. São milhares de pessoas que se misturam a uma infinidade de cores e aromas. Uma dica: fique ligado nas buzinas das motocicletas, nas charretes e até, se duvidar, nos carros. É caótico, mas muito, muito, divertido!


Leve muitas moedas, você vai precisar caso queira tirar uma foto, por exemplo, com o encantador de serpentes . Nem pense em chegar perto e fazer uma imagem sem permissão, eles ficam muito bravos (nada vai lhe acontecer, até porque a polícia turística está ali sempre alerta, mas é bom evitar). E se quiser fazer a foto negocie (não vale mais do que 5 dirhams, 0,50 cents de euro). Eles, normalmente, são educados.


No começo você vai ficar impressionado com as dezenas de barracas que servem comida ao ar livre. É que não parece muito higiênico, mas o que não falta são marroquinos e turistas sentados nas mesas degustando as iguarias - o problema é que além de ficar expostos, os alimentos são manipulados, a maioria, com as mãos. Bem se tiver um estômago muito sensível é melhor não arriscar (eu acabei trazendo de suvenir uma gastroenterite, mas, minha irmã, por exemplo, se deu bem com a comida condimentada). É tudo uma questão de organismo. Mas uma coisa é certa: água só mineral! Aproveite, também, para tomar suco de laranja, muitos, são, realmente, deliciosos!


Bem, ainda falta muita coisa para falar de Djemaa el-Fna, um lugar tão singular que a Unesco teve que criar uma nova categoria para enquadrá-la - Patrimônio Imaterial da Humanidade. Realmente, é difícil defini-la, principalmente em palavras.




quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte III)








Em Marrakech pisei no mesmo chão que Angelina Jolie e Brad Pit. Pode parecer pouco, mas pra mim já foi o suficiente (até porque sou fá deles). Tudo bem, não dei sorte, os dois não estavam lá no momento em que visitei o riad Sublime Ailleurs (http://www.sublimeailleurs.com/), que como já disse é comandado pelo divertido Augusto Rodrigues (na foto, à direita, junto comigo e o mordomo servindo chá de menta), que nos contou histórias muito interessantes sobre o Marrocos.


Mas para usufruir do charme desse "hotel" cinco estrelas, o visitante precisa desembolsar no mínimo 750 euros por dia. Para quem tem dinheiro, vale a pena, pois é a oportunidade de entrar em contato com o cotidiano dos muçulmanos (e só se hospedando na casa de um marroquino ou ficando num riad isso é possível). Claro, existem outros bem mais acessíveis.

Paga-se caro para ficar no Sublime Ailleurs, sem dúvida. Mas, por outro lado, ali se tem privacidade e atendimento personalizado. Por isso, o local é tão procurado por personalidades do mundo todo. E não precisa ir muito longe para conhecer alguém que já teve a satisfação de estar nesse charmoso riad - o governador Paulo Hartung, por exemplo, já desfrutou dos seus serviços. Só para ter uma ideia, não existem apartamentos, são apenas oito casas, completamente individuais, com piscina própria. Além de mordomo e governanta 24 horas. E caso queira fazer uma festa particular, eles providenciam tudo.

Rodrigues explicou que nas residências muçulmanas sempre existe um lugar aberto, com uma fonte de água (símbolo da vida) no meio, cercada por árvores (foto), de preferência limoeiros ou laranjeiras. Assim também acontece nos riads, que possuem uma arquitetura típica. Foi nesse ambiente cheio de energia positiva que fizemos nosso lanche.

Enquanto degustávamos o chá de menta, a mesa estava linda! (foto), Rodrigues foi contando várias histórias, principalmente das festas particulares que são realizadas pelos mais abastados no Marrocos. Como ele mesmo disse, esses eventos são verdadeiros contos de fada, com direito a príncipe, princesa, rei, rainha... No Marrocos ainda prevalece a monarquia absoluta - o que o rei diz, tá dito.

E por isso mesmo, como explica Rodrigues, o visitante está muito mais seguro ali do que, por exemplo, no Brasil. E por uma razão simples: no Marrocos qualquer desvio de comportamento não acaba apenas com a pessoa que o está causando, desonra a família toda. Assim, pode andar pela medina (onde estão os souks, mercados a céu aberto) sossegado. Apesar das milhares de pessoas que circulam pelo local, diariamente, você está protegido, até porque a polícia turística está sempre alerta.

Ah! A medina.... Uma coisa de louco (que, claro, merece um post à parte). Como disse um dia o escritor norte-americano Paul Bowles, que morou muitos anos no Marrocos: "Sem a Djemaa el Fna, Marrakech seria apenas uma cidade como outra qualquer". Ele tem razão, e só estando lá para ver e crer.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte II)


Enquanto estava no trem, a primeira coisa que me veio à mente foi a música de Caetano Veloso: "Esse papo já tá qualquer coisa. Você já tá pra lá de Marrakech"... Fiquei pensando que eu devia estar mesmo pra lá de Marrakech, enfrentando 3 horas de viagem, naquele calor, insuportável, numa locomotiva sem ar-condicionado (e olha que era a primeira classe!). Mas olhando a paisagem pela janela, fui percebendo aos poucos as belezas daquele lugar, que poucos brasileiros visitam. É uma pena, não sabem o que estão perdendo.

Na cabine do trem (na primeira classe) vão até seis pessoas. Na nossa, além de mim e de minha irmã, estavam mais dois muçulmanos. Enquanto um lia o jornal (uma coisa de louco!), o outro escutava o Ipod (deu para perceber que eram músicas de bandas locais, interessante). Batemos um papinho com eles, que foram muitos simpáticos e nos prestaram algumas informações sobre nosso destino.

É engraçado, no Marrocos pode-se fumar, praticamente, em todos os lugares, abertos ou fechados. E como se fuma! Até no trem, mas só perto dos banheiros. Enquanto minha irmã foi dar uma tragadinha, aproveitei para observar melhor o cenário externo. Em meio à paisagem árida, vão despontando pequenos lugarejos, onde sempre se destaca uma torre, certamente a mesquita do local. Depois, vem novamente o deserto - o nada. De repente, aparece um muçulmano, solitário, cuidando das ovelhas. Verde, quase nada!

Fiquei pensando no que encontraria em Marrakech... Já estava quase me arrependendo da viagem, quando cheguei. E qual não foi minha surpresa ao desembarcar na estação (foto)! É, simplesmente, ma-ra-vi-lho-sa! A arquitetura é linda, parece que você está entrando num conto de fadas, tipo "As mil e uma noites". O hotel, para variar o Ibis, fica bem ao lado da estação.

É um charme, está bem localizado, fica perto da medina (a principal atração da cidade), possui uma decoração típica, mas deixa a desejar em alguns pontos, principalmente o café da manhã (que é cobrado à parte e não vale o dinheiro gasto). Mas, por outro lado, oferece internet grátis e uma deliciosa piscina, no meio de um belo jardim. Além, do preço, bem acessível.

É claro que se você quiser viver um verdadeiro dia-a-dia marroquino, nem pense em ficar num hotel de rede e, sim, nos chamados riads - onde vai se sentir um muçulmano. Existem vários, para todos os gostos e bolsos. Conheci o Sublime Ailleurs, que está sob a responsabilidade do simpático Augusto Rodrigues, um brasileiro amigo da jornalista Carminha Corrêa, que nos serviu um delicioso lanche, regado à chá de menta e suco de laranja (dois costumes locais) e doces regionais. E, claro, horas e horas de conversas interessantes, que contarei posteriormente, no próximo post. Assim, como outras curiosidades dessa exótica cidade.