quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pra lá de Marrakech (Parte IV)







Existem vários destinos em Marrakech, mas nenhum deles se compara a Djemaa el-Fna, a alma da cidade, literalmente. Como o calor é insuportável, a minha dica - e de todos os marroquinos - é visitá-la inicialmente pela manhã, quando o astro-rei ainda permite que você caminhe sem suar muito.

Ande pelo labirinto de ruas e lojas e aproveite para fazer umas compras (mas prepare-se, nenhuma peça tem preço estabelecido, negociar faz parte da tradição local. Os marroquinos ficam até aborrecidos se você aceitar o primeiro valor. Não, a ordem ali, é pechinchar). Mas isso merece um post à parte. Pois é, realmente, uma coisa de louco!


Antes das 12 horas, você tem duas opções: ou voltar para o hotel e desfrutar da piscina (ou se preferir de uma boa massagem, quase todos oferecem o serviço) e almoçar ou visitar um dos parques locais, um deles é obra do pintor francês Jacques Majorelle (1886-1962), que foi comprado, posteriormente pelo estilista Yves Saint-Laurent. O Jardin Majorelle é uma gracinha!


Ande despreocupadamente pelas trilhas de palmeiras, cactos e bambus gigantescos. Existem outros tão agradáveis quanto, como, por exemplo, o Cyber Park Arsat Moulay Abdel Salam, o Jardin Agdal, os Jardins de la Ménara ou o Jardin de la Mamounia. Acredite, são verdadeiros oásis em meio ao deserto. São bons lugares para fazer um piquenique ou sentar num dos cafés e tomar um chá de menta enquanto espera o momento de voltar à medina e, consequentemente, aos solks (mercados).


Pode parecer estranho indicar um chá (e quente) no Marrocos, devido ao calor. Mas o de menta é uma tradição local e como explicou meu novo amigo Augusto Rodrigues, quando se está no deserto, acredite, é mais fácil matar a sede tomando essa bebida típica do que ingerindo água. Como ele mesmo disse, aquelas propagandas que aparecem pessoas tomando Coca-Cola em pleno Deserto do Saara é pura enganação. "Não existe coisa mais insensata do que isso", diz Rodrigues.


Aliás no Marrocos, é engraçado, o refrigerante tem dois lados: num vem escrito Coca-Cola (normal) e no outro a mesma coisa, mas em árabe (foto). É no mínimo curioso. Assim, também, é o Mc Donald´s (foto). Bem, voltando aos jardins, depois de respirar ar puro, lá pelas 17 horas, retorne para a medina e prepare-se para desfrutar de algo totalmente diferente de tudo o que viu na vida.



Essa á a hora em que os marroquinos começam a chegar ao local. São milhares de pessoas que se misturam a uma infinidade de cores e aromas. Uma dica: fique ligado nas buzinas das motocicletas, nas charretes e até, se duvidar, nos carros. É caótico, mas muito, muito, divertido!


Leve muitas moedas, você vai precisar caso queira tirar uma foto, por exemplo, com o encantador de serpentes . Nem pense em chegar perto e fazer uma imagem sem permissão, eles ficam muito bravos (nada vai lhe acontecer, até porque a polícia turística está ali sempre alerta, mas é bom evitar). E se quiser fazer a foto negocie (não vale mais do que 5 dirhams, 0,50 cents de euro). Eles, normalmente, são educados.


No começo você vai ficar impressionado com as dezenas de barracas que servem comida ao ar livre. É que não parece muito higiênico, mas o que não falta são marroquinos e turistas sentados nas mesas degustando as iguarias - o problema é que além de ficar expostos, os alimentos são manipulados, a maioria, com as mãos. Bem se tiver um estômago muito sensível é melhor não arriscar (eu acabei trazendo de suvenir uma gastroenterite, mas, minha irmã, por exemplo, se deu bem com a comida condimentada). É tudo uma questão de organismo. Mas uma coisa é certa: água só mineral! Aproveite, também, para tomar suco de laranja, muitos, são, realmente, deliciosos!


Bem, ainda falta muita coisa para falar de Djemaa el-Fna, um lugar tão singular que a Unesco teve que criar uma nova categoria para enquadrá-la - Patrimônio Imaterial da Humanidade. Realmente, é difícil defini-la, principalmente em palavras.




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